Conto Gamer: [Skyrim] O Troll das Neves



"O que ocorreu no cume da montanha direi a vocês mais a frente. Hoje vos direi como foi minha primeira vista de um dos mais temidos monstros das montanhas. O Troll das Neves. 

A armadura prateada já não me era mais útil. Convidava o frio e o abraçava fortemente, fazendo meu corpo inteiro tremer. Ao caminho de saída da montanha gélida, em relance, vejo um vulto branco com manchas pretas em seu rosto - parece se esconder por trás de uma árvore. Ao me aproximar, o tronco da árvore e os galhos da mesma parecem ganhar vida. Tremem com força, apenas após ver o vulto novamente, agora um pouco mais longe, vejo que a força do mesmo fez a árvore tremer. Por que algo tão forte -imagino- fugiria de uma criatura inferior? Teorias desde o reflexo do sol em minha armadura até o meu modo de andar percorreram minha psique, porém havia um caminho a ser seguido. Queixo em riste -como um verdadeiro guerreiro nórdico deve se portar- e continuei em frente.  

As rochas que formavam o caminho de escadas até o topo pareciam ser mais escorregadias do que o normal, e o frio era insuportável. Decidi me dar um descanso para que o sol alcançasse o topo do meio-dia e aumentasse um pouco a temperatura. Optei por uma cavidade dentro de uma rocha enorme, que era presa por outras da mesma forma ao lado, e parecia minimamente confortável, porém segura. Ao passar o outro lado da montanha, e atingir seu cume, o sol já refletia na neve, e seus raios, fugazes como lança hélica, me queimavam os olhos. Era um sinal que já ficara tempo demais à montanha, e o caminho a seus pés, tomava o rumo final. 

Quando, já no horizonte, começo a ver a mudança da tonalidade esbranquiçada e cinzenta a um verde amarelado -pelo visto, pela seca-, outras árvores começam a tremer, agora sequencialmente, até uma moita de folhas -totalmente cobertas pela neve- também tremer, como se a mesma estivesse com tanto frio quanto eu. Por duvida pus em mãos minha maça, e brandei meu escudo à outra mão. O vulto saiu de dentro da moita correndo para um amontoado de rochas, aonde alguns ossos se dispunham de uma forma bizarra, aparentando um grande massacre de pequenos animais ali. Com um grito alcancei a tal criatura, e a foquei à face.

As manchas negras no vulto eram olhos. Três. Dois normais, como humanos, e um à testa, parecendo ser mais ágil do que os outros. Era um Troll, mas não um qualquer... sua pelugem era totalmente branca, e as garras pareciam mais afiadas e fortes. Me jogaram a três metros com tremenda facilidade. Meu escudo voou para longe com o impacto, apenas me deixando com a maça em mãos. Corri em direção ao Troll, e o mesmo me jogou com ainda mais força, e dessa vez veio em minha direção, berrando e arrastando os braços no chão, fazendo o temor se apossar de mim.

Bati com a maça em seu braço, sem efeito. O monstro me ergueu, e jogou-me a mais quatro metros. Desloquei um dos meus dedos ao tentar me apoiar no chão; esforço vão, cai, e a criatura ainda socou minhas costas, fazendo com que a dificuldade que eu já tinha para respirar de tanto frio aumentasse infinitas vezes por algo que parecia prender minhas vias. Lembrei-me da alma do dragão, e, enquanto me perguntava se seria assim o meu fim, um calor se apossava de minha alma. Minha respiração voltou ao normal, e em um berro raivoso "FUS!", joguei a criatura a três metros de mim. Distância e tempo o bastante para me levantar, bradar a maça, e me prontar para combate. 

Percebi que a criatura sempre pegava algo do chão branco quando iria correr em minha direção. Sem planejar, improvisei. Joguei a maça no que parecia ser a junta de suas pernas, fazendo-o cair. Subi nas pedras, à lateral do local em que estávamos e tentei empurrar com as duas pernas uma rocha para finalizar aquela criatura. A força que eu dispunha em meu corpo era impossível, e o único artefato que poderia me ajudar como alavanca estava fincado nas juntas do Troll. Por uma inacreditável coincidência, ou até escolha divina de quem escreve minha história, o escudo estava ao meu lado, pronto para ser utilizado. O fiz como alavanca, fazendo a rocha rolar para cima do Troll. 

O terceiro olho do monstro saltara com o impacto Resolvi regalar-me com esta iguaria peculiar das montanhas enevoadas. Havia, porém, perdido meu escudo com o mesmo impacto. Só minha maça, eterna companheira, ainda estava em minhas mãos. Sai da montanha, e o entardecer banhava minha armadura com o merecido calor de uma vitória.

O verde se abrigava em meus olhos. Abaixei-me, tateei a grama, e senti a única mudança de cor na locação. Era um vinho escuro, de textura viscosa, e o cheiro se misturava com o de meu elmo. 

Sangue."